FOTÓGRAFO POTIGUAR BRILHA EM NEW YORK

por José Carlos

O fotógrafo potiguar Giuliano Correia faz carreira
clicando o berço das principais tendências fashion, em Nova York
photo by Brian Corteville
LENTES NO MUNDO DA MODA
  FOTÓGRAFO POTIGUAR FAZ SUCESSO NOS EUA
 Via
Diário de Natal
Há quase onze anos morando nos Estados Unidos e um ano em uma das principais capitais do mundo da moda, Nova Iorque, o fotógrafo de moda potiguar Giuliano Correia conserva até hoje a paixão sentida desde o primeiro click. Com uma história de muita dedicação, profissionalismo e amor pela fotografia, hoje Giuliano colhe os louros do trabalho de tantos anos, fotografando para agências de renome como a Ford e a Elite Models, fazendo editoriais e também campanhas comerciais.

Potiguar de Pau dos Ferros, desde pequeno Giuliano tinha contato com câmeras fotográficas que o pai comprava e que ele sempre “mexia”, brincando de fotografar e entrevistar familiares e amigos. Giuliano conta que o sonho dos pais era que ele fosse médico e que, por influência disso fez uma série de vestibulares “errados”, tentando medicina e odontologia, até descobrir sua verdadeira vocação: foi no curso de jornalismo da UFRN que ele realmente se encontrou e se apaixonou “por tudo e por todos”, como diz.

Tudo começou em um laboratório precário da UFRN na década de 1990 durante uma aula de fotografia. “Na primeira vez que peguei uma câmera manual, fiz a luz e escutei o click. Fiquei louco, me apaixonei”. Depois disso, Giuliano participou de um concurso multimídia com uma fotografia sua chamada “Abstrato em Barro”, retratando santos no centro da cidade e foi aí que ele ganhou seu primeiro prêmio, ainda universitário. Quando terminou o curso de jornalismo, como não existia nenhum curso específico de fotografia aqui, Giuliano optou por sair do país e ir estudar nos Estados Unidos, em Chicago, numa faculdade de fotografia.

 “Comecei como assistente de fotógrafos de editoriais e fiz
muitos workshops em Chicago, Los Angeles e Nova Iorque”
 photo by Victor Wagner

Ele lembra que no início não foi nada fácil não só para se firmar como profissional, mas principalmente para se firmar como pessoa, já que lá ele começou do zero, sem conhecer ninguém. Foram muitos anos trabalhando como bartender e garçom para se sustentar e para pagar seus outros quatro anos e meio de estudo. Giuliano ressalta que a fotografia exige muito investimento, pois bons equipamentos custam caro. “Comecei como assistente de fotógrafos de editoriais e fiz muitos workshops em Chicago, Los Angeles e Nova Iorque”, conta ele.

Nos seus quatro anos como assistente de grandes fotógrafos, ele diz ter ganhado muita experiência, principalmente no trabalho com a luz. Daí começou a treinar fazendo fotos artísticas de amigos e descobriu que sua vocação era trabalhar com gente, fotografando pessoas. Giuliano montou seu portfólio e o distribuiu em várias agências de modelos nos Estados Unidos, que inicialmente o chamaram para fotografar suas news faces. A partir desta experiência que Giuliano começou a enveredar pelo mundo da moda.

Foi essa experiência inicial que Giuliano diz ter aberto suas portas para o mundo “fashion”, quando passou a conhecer as pessoas que faziam esse universo, designers e, assim, as coisas passaram a acontecer mais rápido em sua carreira. Ele conta que ingressou nos trilhos da fotografia de moda há quatro anos, mas há cerca de dois ele começou a colher o devido reconhecimento pelo seu trabalho. Sobre as dificuldades de se trabalhar com fotografia, já consolidado profissionalmente Giuliano diz que esse nicho ainda é uma luta e “tem que matar um leão a cada dia”. Hoje, ele diz poder respirar e dizer “valeu a pena tudo que eu passei”. Todo o seu tempo e dinheiro por esses anos no exterior ele dedicou à fotografia, a seus equipamentos, abrindo mão de roupas novas, baladas e gastos desnecessários.

  Giuliano colhe os louros do trabalho de tantos anos,
fotografando para agências de renome como a Ford e a Elite Models
photo by face Giuliano correia

MODA BRASILEIRA

Avaliando a moda brasileira, baseado em sua experiência internacional neste mercado, Giuliano Correia diz que “como tudo no Brasil, a moda também está em grande transição. Ainda há muita segregação. Mas como agora o Brasil está tendo maior repercussão internacionalmente, o país ainda está aprendendo como tudo funciona dentro dos grandes eixos – Paris, Nova Iorque e Milão”, analisa Giuliano.

Criativamente, o fotógrafo vê a moda brasileira com grande potencial, ressaltando também a beleza ímpar das suas modelos que, segundo ele, são as mais harmônicas e completas no mundo. Ele fala ainda de marcas como a Osklen em que se observa uma moda genuinamente brasileira, com peças bonitas, interessantes, vindas de uma marca com “cacife para competir lá fora”. Giuliano complementa: “a indústria brasileira (de moda) ainda é muito nova, tem pouca gente, pouco investimento e eu vejo a moda brasileira crescendo muito rápido para ser bem representada internacionalmente”.

“Na primeira vez que peguei uma câmera manual, fiz a luz
 e escutei o click. Fiquei louco, me apaixonei”
 photo by Ben Nelson
PROFISSIONALISMO

Trabalhando em uma das cidades mais competitivas do mundo em fotografia, Nova Iorque, Giuliano ressalta que, além do talento, o profissionalismo é um critério fundamental no ramo. “Se você é responsável e é bom, as coisas acontecem rápido”, diz ele. Falando sobre a realidade da moda em Natal, Giuliano explica que lá fora a indústria já existe, então se o profissional trabalhar bem, vai ter espaço. Já aqui, as dificuldades vão além da competitividade e profissionalismo. “Você que tem que criar esse cenário, fazer as coisas acontecerem, ir atrás de tudo. Aqui, nem a indústria nem os donos de lojas acordaram que existe dinheiro e mercado para o universo da moda. As pessoas esperam vir de fora, mas deveriam investir no Brasil inteiro, não só no eixo Rio-São Paulo”.

Giuliano está há um ano em Nova Iorque e trabalho não falta. Ele fotografa modelos para quatro agências, editoriais e clientes de cosméticos. Em conversa com um amigo surgiu a oportunidade de voltar ao Brasil e, como ele iria passar um mês no país, aproveitou para combinar sua experiência e conhecimento dos vários workshops feitos no exterior e realizar seu próprio workshop em Natal, que teve por foco o trabalho da luz – ambiente e artificial. Voltado para alunos dos níveis intermediário e avançado, a ideia era fazer uma luz particular, uma forma de o fotógrafo levar sua assinatura para a foto por meio da luz e do seu senso estético.

Para os que compartilham com ele a paixão pela fotografia, o conselho é ter “coragem, força, dedicação e investir muito. Ser fotógrafo é uma profissão difícil como qualquer outra”. Escolher com o que trabalhar e está por dentro do que acontece no seu nicho também é fundamental. “Profissionalmente você tem que escolher um nicho e se dedicar a ele, se antenar com o mundo daquilo que você escolheu para se especializar”.

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